sábado, 20 de novembro de 2010

A criança e o desenho ( psicopedagogia/ desenho)

A criança e o desenho
Através do desenho de uma criança é possível analisar seu carácter, sua personalidade, temperamento e carências. É possível também através do que a criança desenha, descobrir e reconhecer as fases pelas quais a criança está a passar, suas dificuldades, bem como seus pontos positivos. .
Há um livro interessante “Como interpretar os desenhos das crianças” da pedagoga Nicole Bedard – Edições CETOP, que poderá lhe ajudar a compreender melhor os desenhos do seu filho; e assim poder conhece-lo mais profundamente.
Entre 2 e 3 anos de idade, a criança ainda não faz desenhos com significado representativo. Gradativamente a criança vai expressando traços mais significativos, entre os 2 e 3 anos, o que se nota são traços leves, ou fortes, pequenos rabiscos, etc.
Entre os 3 e 5 anos de idade, a criança já tenta desenhar de acordo com a sua realidade, e conforme a própria percepção. Evidente que ainda são traços sem grande expressão, mas que para a criança tem todo um sentido.
Alguns significados de alguns desenhos:
Árvore: Refere-se ao físico, emocional e intelectual da criança, Quando o tronco da arvore é alto e largo, revela que seu filho tem muita força na superação dos problemas. Quando o tronco for pequeno e estreito, revela vulnerabilidade às complicações.Se houver excesso de folhas, a criança tem grande ocupações talvez em excesso. Se houver poucas folhas, e galhos a criança está triste.
Casa: Desenho de uma casa grande, demonstra grande emotividade, se for uma casa pequenina seu filho demonstra que é uma criança retraída.
Barco: Desenhar barco significa que a criança adapta-se facilmente a imprevistos. Barcos grandes, revela que seu filho não gosta de mudanças e aprecia ter controlo da situação, se for barco pequeno seu filho é sensível, e tem grande intuição.
Flores: desenhar flores significa que seu filho é uma criança alegre e feliz.

A força de um desenho
As crianças privilegiam uma folha de papel branca e lápis de cera para exprimir as suas opiniões, sentimentos e medos – muito mais do que a comunicação verbal. É esta a forma que a pequenada encontra para contar uma história que terá, invariavelmente, representações de cenas e de pessoas da sua vida real. Um desenho encerra um sem número de significados, presentes em pequenos pormenores que podem não ser imediatamente evidentes, mas que com um olhar mais atento podem revelar algo que possa estar a afetar a criança de forma negativa.

Meninos vs. Meninas
Quem já teve oportunidade de analisar desenhos criados por meninos e meninas rapidamente verificam que, na maior parte dos casos, existem diferenças notórias. Por norma, os desenhos de crianças do sexo masculino estão intimamente ligados à ação e à força, sendo por consequência mais escuros e até mais agressivos (podem incluir explosões, armas e monstros, por exemplo); enquanto os desenhos de crianças do sexo feminino estão mais voltados para a natureza e a serenidade, sendo mais contemplativos belos e coloridos (incluem, não raras vezes, o sol, as nuvens, flores e personagens fantasiosas como fadas, por exemplo).
Como interpretar desenhos
Uma área específica e alvo de estudo intensivo, os desenhos infantis são matéria privilegiada no campo da psicologia, o que significa que nem os professores ou educadores de infância estão completamente treinados para decifrar desenhos. Porém, existem sinais de alerta, presentes nos desenhos das crianças, que podem despertar pais e professores para situações anormais. Os terapeutas especialistas afirmam que a interpretação dos desenhos deve ser feita consoante a idade da criança, ou seja, um desenho todo preto feito por uma criança de 2 anos pode não ter nenhuma conotação negativa, uma vez que esta ainda não tem uma consciência clara da escolha das cores, ao invés de uma criança mais velha, com 4 ou 5 anos. No entanto, os psicólogos vão mais longe nesta matéria e defendem ainda a importância de não avaliar o desenho isoladamente, mas de considerar, para além da idade da criança, a sua personalidade, o seu desenvolvimento cognitivo e ainda a sua história de desenhos. Em adição, há, naturalmente, o contexto do desenho, ou seja, sugere-se que o adulto fale freqüentemente com a criança sobre aquilo que desenha.
Deve estar atento a:
  • Cores utilizadas e vivacidade das mesmas
  • Força ou interrupção do traço
  • Existência de sombras
  • Isolamento de determinadas figuras (“fechadas” dentro de um quadrado ou de um círculo, por exemplo)
  • Ausência de determinadas figuras ou representação das mesmas numa escala muito reduzida
  • Agressividade de determinadas figuras
  • A criança passa a desenhar, continuadamente, cenária de violência
  • Desenha repetidamente a mesma figura
  • Se alguma figura é riscada ou apagada, depois de desenhada
  • Desenha figuras sem cabeça ou sem rosto
  • Não consegue desenhar-se a si próprio, numa imagem de família, por exemplo.
  • Desenha cenários que não são adequados à sua idade


O que fazer?
  • Não entre em pânico, nem proíba a criança de desenhar. O desenho tanto pode revelar algo negativo, como não. Mas, independentemente da conclusão final, é sempre preferível saber e descobrir antecipadamente algo que esteja menos bem na vida da criança.
  • Como os adultos nem sempre vêem o que o imaginário das crianças (e a falta de técnica, compreensível nos mais novos) transpõe para o papel, é essencial manter um diálogo aberto sobre os desenhos infantis, sem recriminações, apenas muitos “porquês”. Procure descobrir a “história” por de trás de cada desenho.
  • Verificou-se um ou mais “sinais de alerta” (transcritos na lista acima), é importante reunir os desenhos mais recentes da criança, para verificar se existe uma recorrência desse padrão ou não. Se necessário, marque uma reunião com a professora, de forma a poder também ter acesso aos desenhos efetuados na escola.
  • Fale com a criança sobre os desenhos em questão, tentando descobrir o que está por de trás dos mesmos, ou seja, a criança pode ou não dizer-lhe exatamente o que se passa ou o que se passou, por isso, será necessário estar atento às “entrelinhas”.
  • Se os desenhos da criança continuar a alarmá-lo, procure ajuda profissional.
  • Acima de tudo, não desencoraje a criança de desenhar, esta é uma atividade lúdica, criativa e educacional, que deve ser praticada continuamente, até porque os seus benefícios são mais do que muitos.
·         Primeiro gostaria de sublinhar que tal como as crianças crescem em altura, o seu nível cognitivo vai crescendo também. Os desenhos nas várias idades são o espelhar dessa evolução - não se pode pedir a uma criança de três anos que faça um desenho ao estilo de Miguel Ângelo! Quanto mais a criança cresce, mais o desenho ganha forma. Quando conseguir desenhar as formas que a envolvem é sinal que está em vias de controlar o meio porque o percepciona tal como ele é, e é capaz de se exprimir livremente através dos seus desenhos. Mas o que eu queria realmente realçar é que felizmente cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento, e que por isso o que se espera de determinada etapa etária pode variar ligeiramente no tempo (para mais cedo ou mais tarde). Assente esta ideia, decidi então deixar aqui algumas concepções gerais da evolução do desenho nas crianças, de acordo com o que é esperado em média para cada faixa etária.
·         Dos 18 meses aos 2 anos: A criança aprendeu a proeza de segurar num lápis e adora fazer rabiscos com liberdade, especialmente sobre grandes formatos (quer sejam folhas de papel grandes ou móveis e paredes). A coordenação do movimento é um pouco desajeitada pelo que não será esperado desenhar formas. Nesta fase a interpretação é feita através da pressão, da tonalidade, da grossura e da orientação espacial dos rabiscos.
·         Dos 2 aos 3 anos: A criança quer experimentar várias ferramentas e materiais, porque é nesta fase que está mais aberta para conhecer e interagir com o mundo. Por isso, experimenta mais do que exprime. A coordenação desenvolve-se e consegue segurar com mais firmeza as ferramentas para desenhar.
·         Dos 3 aos 4 anos: É nesta faixa etária que a criança começa a exprimir-se claramente através do desenho. Com frequência ela informa-nos do que vai desenhar mesmo antes de fazer os traços no papel. E é aqui que normalmente começam a desenhar claramente personagens, mesmo que muitas vezes estas não tenham roupas e expressões.
·         Dos 4 aos 5 anos: A criança começa a escolher as cores em função da realidade. Até aqui as árvores podiam muito bem ser cor-de-rosa e as pessoas verdes, mas nesta etapa começa a discriminar as particularidades e a representar o mundo realmente como ele é – e as pessoas dos desenhos já terão mais características, como por exemplo, roupas com botões e cabelos com caracóis. Como a sua capacidade para sonhar é mais forte, então pode ter grande tendência para exprimir a sua criatividade e a desenhar contos de fadas e imaginações.
·         Para finalizar, acrescento que não é muito favorável insistir para que a criança desenhe quando ela não sente necessidade – deve-se sim incentivar, mas não submeter. É bom deixar as crianças darem livre curso à sua imaginação. Em determinadas crianças, a necessidade de experimentar e exprimir faz-se sentir através de outros meios como a música, a dança, o canto ou até o desporto. Cada um deverá nas melhores condições, procurar aquilo que mais lhe satisfaz.


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